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A nova face do casamento

Estudos (1) mostram que em vários países do mundo ocidental pelo menos 30% dos casais separam-se ao longo da vida, sendo que 50% dos primeiros divórcios ocorrem antes dos sete anos.  A maioria dos que se separam volta a casar, sendo que a taxa de separações no segundo casamento ainda é maior. “Não esperava tantos problemas com os filhos do primeiro casamento”, é a explicação mais comum. 

A maioria dos homens que se separam pela segunda vez volta a casar uma terceira vez. Certamente precisamos aprender mais sobre relações afetivas se quisermos evitar tantas separações e o sofrimento associado a elas. Mas o que já está acontecendo é que mesmo se separando mais as pessoas continuam casando e recasando, pois parece que o ser humano ainda não encontrou forma melhor de criar filhos e satisfazer necessidades básicas de segurança e intimidade. Isso tem apoio dos estudos confirmando a importância da boa relação de casal para a saúde mental e para o sentimento geral de felicidade das pessoas. 

Temos escutado também sobre o aumento da infidelidade.  O que não se comenta, mas que deve ser divulgado, é que a infidelidade ocorre principalmente nos casamentos que não estão bem e na etapa anterior ao divórcio. Já na área jurídica observa-se a crescente aceitação, em vários países, do casamento de pessoas do mesmo sexo.  Isso mostra que as tendências atuais do casamento não tem a ver com o que às vezes é descrito como a “dissolução de valores”, mas com uma complexa confluência de fatores culturais, políticos e sociais. E o aspecto que se destacou nesta nova face do casamento é a centralidade da relação afetiva do casal e passou a ter menos importância a “instituição casamento”, isto é, a comemoração do ritual ou a assinatura de papéis a respeito de uma decisão, a de viver juntos num projeto duradouro – não necessariamente na mesma casa- que só o tempo vai dizer se trará felicidade ou não para os parceiros.

A sociologia do casamento nos mostra que isso é uma evolução dos últimos 200 anos dos casamentos por interesses comerciais, políticos ou outros para casamento por “amor”.  Por isso, se imaginarmos um “edifício dos casamentos” na atualidade encontraremos jovens coabitando em uma relação estável, ao lado de casais legalmente casados que são vizinhos de um casal que tem filhos sem estarem casados, que por sua vez moram ao lado de um outro casal recasado em que o homem está num andar e a esposa e seus filhos do primeiro casamento no andar de baixo. E todos eles participaram recentemente, no salão de festas do edifício, da comemoração de um casal que legalizou o matrimônio depois de dez anos de coabitação.

Será que se pode dizer que estamos vivendo com mais liberdade e menos formalidade?

 

 

 

Psiquiatra, Professor de Psicoterapia de Família e Casal do Instituto da Família de Porto Alegre.

(1) Waldemar, J.O.C. Terapia de casal in: Cordioli, A.V. at all. Psicoterapias: Abordagens atuais, 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.

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