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Quando acende o sinal amarelo nas relações da família

 

Todas as semanas têm uma discussão em casa entre o casal. A criança traz um bilhete por dificuldades escolares ou mau comportamento, pela quarta vez em um mês. O adolescente sai à noite e não dá satisfação aonde vai ou a que horas vai voltar. Parece que estamos falando da sua família?

Vamos com calma, as relações em família são muito complexas e podem sofrer os abalos da vida cotidiana pós-moderna. Dentre os impactos sofridos pela família está o fato de ambos os cônjuges saírem para trabalhar e só voltarem à noite, os estímulos das redes sociais e internet roubarem a atenção dos pais e filhos da convivência e dos estudos e, não raro, o espaço de diálogo entre os membros da família tornar-se inexistente.

Estes exemplos são as interferências do cotidiano que estão sendo observadas como um sinal amarelo – de atenção – que acende nas relações em casa, com repercussões na escola e no ambiente de trabalho.

Os membros adultos da família sejam a mãe, o pai, avós ou outros parentes precisam ficar atentos para alguns comportamentos que alertam para a necessidade de procurar ajuda. Sinais de agressividade desmedida, isolamento por dias seguidos, alimentação desequilibrada, noite mal dormida e notas escolares em declínio são alguns indícios de que crianças e adolescentes estão enfrentando alguma crise não identificada e que, porque não é falada, cresce silenciosa.

A crise não identificada pode ter relação com a própria criança ou adolescente e seu momento de desenvolvimento cognitivo-emocional ou ser um reflexo de situações vividas com os adultos, por exemplo, presenciar brigas constantes do casal ou sofrer violência física e emocional em casa. No entanto, os indícios citados são o grande barulho que a criança e o adolescente fazem para pedir ajuda.

Outra situação que levanta uma bandeira amarela são as brigas constantes entre o casal. Assim como na praia representa a necessidade de evitar se banhar naquela área, o casal também necessita aprender a identificar que não estão lidando bem com os conflitos e a comunicação está deficiente. Podem esperar os ânimos esfriarem e tentar conversar em outro lugar, longe dos filhos, marcar um passeio para caminhar com calma e falar sobre o ocorrido, e, sobretudo, não acumular ressentimentos e perder o momento de expor o que deu errado.

Uma situação de crise familiar ou de transição força cada membro a desenvolver um novo tipo de resposta, provocando um desequilíbrio das relações. Como resultado, a família poderá ser transformada, ou reestruturada e, assim, alterar a maneira pela qual as mesmas pessoas se relacionam uma com a outra (Minuchin, 1990; Andolfi e col., 1995).

A convivência pressupõe os desafios de entrar em acordo e desacordo mas é bom esperar a maré ficar mais propícia para se banhar. Essa é a atitude sensata quando o diálogo entre o casal está difícil. Um dia não é igual ao outro, nosso humor oscila dependendo da equação estresse e descanso que nos impomos, por que a comunicação haveria de seguir uma linha estanque?

O casal também pode optar por procurar ajuda de um terapeuta especializado nas questões de casal e família, que vai ser o elemento de fora na relação terapêutica para oferecer um diálogo mais fluido, com reflexão sobre os fatos, que favorecem a emersão dos sentimentos e trazem à tona o sentido do desacordo.

Pesquisas (Féres-Carneiro, 1998; Gzybowsky, 2011) sobre a terapia sistêmica de casal e família mostraram que o equilíbrio da relação conjugal influencia diretamente no desempenho da relação parental e no desenvolvimento emocional dos filhos.

Mãe e pai sentem que amam seus filhos e, para eles, isso deveria bastar para manter a relação intacta, porém, ser mãe e ser pai vai além do complexo ato de cuidar, proteger e amar. A parentalidade requer uma aprendizagem longa e dedicada, visto que recebe influência das gerações anteriores - transgeracional – do ambiente social e do estado emocional dos pais que pode atingir disfuncionalmente os filhos, se não houver uma intervenção preventiva.

Saber o momento de procurar a ajuda de um terapeuta e, assim, evitar que o problema se agrave ou desdobre em outras dificuldades é o grande diferencial para manter a saúde mental da família.

 

Referências   

Andolfi, M.; Angelo, C.; Saccu, C. Org. (1995) O casal em crise. São Paulo: Summus.

Falceto, O (1996) As mudanças sociais e as transformações das funções parentais. In: Prado, LC, org. Famílias e Terapeutas construindo caminhos. Porto Alegre. artes Médicas.

Féres-Carneiro, T (1998) Casamento contemporâneo: o difícil convívio da individualidade com a conjugalidade. Psicologia: Reflexão e Crítica. vol.11 n.2 Porto Alegre. http://dx.doi.org/10. 1590/S0102-79721998000200014 

Gzybowsky, L. S.(2011) Ser pai e ser mãe: como compartilhar a tarefa educativa após o divórcio? In: Wagner, A (et al). Desafios psicossociais da família contemporânea: pesquisas e reflexões. Porto Alegre: Artmed.

Minuchin, S. (1990). Famílias: funcionamento e tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas.

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